Fatores Que Influenciam Em Nossos Hábitos Alimentares

A alimentação está intrinsecamente relacionada aos costumes e modo de comer de um indivíduo ou de uma comunidade, daí a expressão “hábitos alimentares”. Isso acontece, geralmente, de forma inconsciente, sem nem mesmo pensarmos sobre isso.

Contudo, para que possamos realmente compreender a fundo nossos hábitos e promover uma mudança de comportamento efetiva ao adotar uma alimentação mais saudável, é essencial sabermos identificar as razões pelas quais comemos o que comemos, as situações em que comemos e o que pensamos e sentimos com relação aos alimentos.

Isso porque somente quando compreendemos e respeitamos nosso histórico, sentimentos e experiências é que podemos, de fato, aprender a comer de forma mais saudável e sustentável como algo condizente com um estilo de vida, e não apenas para “entrar em um vestido de festa” ou “ficar em forma para o verão”.
Realizar mudanças alimentares está bem longe de ser uma tarefa simples! Afinal, estamos falando de costumes arraigados na sociedade por centenas de anos, que nos bombardeiam desde o minuto em que nascemos.

Costumes Históricos

As grandes diferenças de hábitos alimentares da espécie humana ao longo do tempo são uma prova do sucesso na luta pela sobrevivência e fazem parte da história da nossa espécie. Por isso, é essencial compreender e valorizar essa evolução nos costumes antes de iniciar um processo de mudança. Por exemplo, na pré-história, o descobrimento do fogo apoia a tese de que “cozinhar, nos verdadeiramente tornou humanos”.

Seguindo adiante, na Grécia Antiga, a sociedade começou a acreditar que os alimentos desempenhavam um papel importantíssimo na saúde das pessoas, seguindo como preceito uma célebre frase de Hipócrates, considerado o pai da medicina: “Faça do seu alimento, o seu medicamento”. Para ele, as pessoas deviam comer por saúde e não prazer.
Na Idade Média, o status social passou a influenciar na alimentação da sociedade: pães, sopas generosas e carnes faziam parte da alimentação dos nobres, enquanto os vegetais eram relegados aos camponeses. Aos poucos, comer muito era o que todos almejavam ali.

E chegando à época das grandes navegações, as especiarias e alguns alimentos viajaram o mundo e transformaram definitivamente a gastronomia mundial.

Por fim, hoje, globalizados, os costumes alimentares estão cada vez mais padronizados e focados em grandes porções, o que tem gerado um estado de hipernutrição mundial.

Os Influenciadores Alimentares

As escolhas alimentares costumam ser feitas por dois vieses determinantes: os relacionados aos alimentos propriamente ditos (como sabor, aparência, valor nutricional, variedade, disponibilidade, acesso, preço) e relacionados ao indivíduo (genética, sexo, idade, estado nutricional, cultura, religião, escolaridade, crenças e tradições). Entenda a seguir os principais e como aprender a iniciar uma mudança:
Característica dos alimentos

  • Sabor

As percepções de sabor envolvem a integração de várias sensações. Um alimento em geral não é comprado ou consumido se tiver um gosto ou cheiro ruim. Ou seja, a palatabilidade é um grande determinante da escolha alimentar, por isso, a grande maioria das pessoas ama e come muito doces e vira o nariz para as verduras e legumes.
Dica: aprenda a cozinhar seus vegetais e encontrar preparações diferentes. Talvez você não goste de cenoura cozida, mas pode adorar o sabor caramelizado quando ela é assada ao forno.

  • Aparência

Dificilmente você aceitaria uma sopa azul, não é mesmo?! Faz parte da nossa natureza “comer com os olhos” e rejeitar alimentos que parecem murchos, estranhos ou bagunçados.
Dica: tente fazer apresentações bonitas de pratos que não apetecem o suficiente.

  • Disponibilidade

Um ambiente com alta disponibilidade de alimentos como festas e restaurantes self-service costumam ser um gatilho para o consumo mais comida do que necessitamos.
Dica: faça refeições leves antes de eventos sociais, sirva-se primeiro das saladas e evite porções grandes.
Características Dos Indivíduos

  • Fatores biológicos

Sexo, idade e estado nutricional influenciam nosso consumo alimentar, pois relacionam-se à necessidade calórica, de macronutrientes (carboidratos, proteínas e gorduras) e micronutrientes (vitaminas e minerais) e à ação de hormônios (da fome e saciedade, entre outros).
Dica: faça check-ups regulares e consulte profissionais que levem em consideração esses aspectos nas prescrições de modificações de estilo de vida.

  • Fatores psicossocioculturais

A alimentação como conhecemos não é um processo cujo objetivo é satisfazer exclusivamente as necessidades de nutrientes do corpo. Comer tem um intenso significado emocional e afetivo. A comida é meio de prazer, desejo, satisfação, lembranças e memórias.
Dica: aprenda a separar o que é fome emocional e o que é fome fisiológica, assim como suprir cada uma delas de forma adequada. Se preciso, conte com ajuda profissional.

  • Fatores sociais e culturais

O nível socioeconômico, a escolaridade, as crenças, as receitas e costumes familiares, os aspectos religiosos e filosóficos, e o acesso a informações de profissionais de saúde e mídia, em geral, refletem o ambiente do indivíduo e influenciam diretamente nas escolhas alimentares.
Dica: você não precisa dizer “não” a todas as tradições, mas, sim, aprender a identificar como elas afetam as suas escolhas alimentares e, a partir daí, definir suas prioridades e encontrar um equilíbrio.

As nossas escolhas nutricionais não são apenas escolha: elas fazem parte de um conjunto de condições que favorecem todo os aspectos da nossa alimentação, por isso, respeite sua história, seus costumes e faça das suas características um aliado na adoção de uma alimentação saudável.

Dra. Carolina Pimentel, nutricionista PH.D. em Ciências da Nutrição e Membro do Conselho Consultivo de Nutrição da Herbalife Nutrition.

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